Paulo Afonso de Almeida Teixeira, o Timoneiro com Alma Carioca

Quem sou eu

Meu nome é Paulo Afonso e considero-me um vira-latas do sexo biológico macho do Reino Animal, da Divisão dos Vertebrados, Classe dos Mamíferos, Ordem dos Primatas, Família dos Hominídeos, do Gênero Humano, da Espécie Homo Sapiens. Atualmente moro em Araruama com meus cães e gatos. Estou aposentado, mas continuo em plena atividade. O site Tudo Sobre Bichinhos é minha ocupação principal, mas não a única. Não sei ficar parado. Deito e acordo cedo. Durmo muito pouco.

Quando criei meu primeiro site, o Alma Carioca, era costume haver uma página falando do autor, do criador do site. O visitante poderia conhecer mais de perto quem estava por trás daqueles artigos, se merecia credibilidade, ou não. Comigo não foi diferente. O Alma Carioca está sob novo comando e achei que aquelas informações mereciam ser preservadas no site que dá continuidade ao meu trabalho. Então, aqui estão:

Nasci no coração do Rio

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Nasci numa pequena rua, a Armando de Sales Oliveira, no Centro do Rio, entre as ruas da Conceição e Andradas. Eram quase seis horas da manhã do dia 6 de outubro de 1945. O sol e a lua (Nova) estavam em Libra. O signo ascendente, já que nasci ao amanhecer, também era Libra. Meu mapa astral é bem estranho. Há uma grande concentração de astros em um quadrante do mapa celeste. O velho sobrado onde nasci, número 12,  fazia esquina com a Av. Presidente Vargas, inaugurada um ano antes. Até 1944, sem a Av. Pres. Vargas, ali passava a rua General Câmara, antes conhecida por Rua do Sabão. Antes disso, nos tempos coloniais, era chamada de “Caminho para a Candelária“. O sobrado onde nasci foi demolido durante a construção do Metrô e hoje está o Camelódromo em seu antigo lugar. Coincidências da vida, se é que existem, fizeram-me trabalhar por quase 25 anos para a IBM, bem perto deste local (o prédio da IBM ficava na Av. Presidente Vargas, 824, entre Rua da Conceição e Av. Passos, que aparece no centro da foto).

Uma alma carioca, o barquinho e o Timoneiro

O primeiro site, o Alma Carioca, tinha um barquinho navegando na página inicial. O barquinho nunca me abandonou e inspirou o heterônimo (ou seria pseudônimo?) Timoneiro, que passei a utilizar com muita frequência, inclusive dando nome ao novo site, o Dicas do Timoneiro.

Cada página do Alma Carioca tinha uma música como fundo musical. A HOME, como não poderia deixar de ser, era animada pelo “Barquinho”, de Menescal e Bôscoli. barquinho

A infância no Grajaú

Talvez os anos 50 tenham sido os mais felizes para os brasileiros. Foi quando aconteceram grandes transformações culturais e vitórias em vários setores. A televisão engatinhava, as transmissões eram em preto e branco e apenas em horário limitado. Só havia um canal. Enquanto os adultos escutavam rádio, as crianças brincavam na rua. Apareceu o rádio transistor. Bola de gude, carrinho de rolimã, futebol na calçada, andar de bicicleta, eram as principais diversões. O Grajaú era  muito tranquilo. Só havia uma linha de ônibus, a 110, e era possível andar de bicicleta por todas as ruas, sem medo de acidentes ou assaltos.

Estudei em escola pública. Fiz o primário na Duque de Caxias. Havia disciplina, respeito, ordem e excelentes professoras.

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Gostava de brincar sozinho. Sempre fui boa companhia para mim mesmo. Li várias vezes os muitos volumes do Tesouro da Juventude e o Livro dos Porquês era minha seção preferida. Montei estruturas e pontes com o MEC-BRAS, microscópios e lunetas com POLIOPTICON. Tive laboratório fotográfico, laboratório químico juvenil, fazia aeromodelos (que voavam com motores de elásticos), botões de galalite e de casca de coco, goleiros feitos com chumbo derretido. Uma vez cortei os pés de uma mesinha e fiz um excelente carrinho de rolimãs. Pelo rádio ouvia “Jerônimo, o herói do sertão“, “O Anjo“, “Radar, o homem do espaço“, “Balança mais não cai” e o “Show da Impecável Maré Mansa“.

Juntava caixas do Pudim Royal para concorrer ao Boliche Royal, apresentado por Lídia Mattos e Murilo Nery. Uma vez fui sorteado e meu pai me representou no programa, ganhando um aparelho de jantar e um par de nadadeiras.

E o Banco Imobiliário? Sempre acabava falido, pagando aluguel aos demais. Será que aprendi alguma coisa?

Quase esqueci de mencionar o curso de rádio por correspondência feito no Instituto Rádio-Técnico Monitor. Montei meus primeiros circuitos eletrônicos. Essa atividade despertou meu interesse pelo radioamadorismo. Fui um dos primeiros PXs legalizados no Brasil (PX1A-0017) após um período na clandestinidade em uma época de grandes perigos (anos 70).

Leblon, a velha Aldeia Encantada

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Quem sou eu - aos 15 anos

Morei no Leblon na fase seguinte da minha vida, até completar 50 anos. Aos quatorze anos deixei o Grajaú, onde passei a infância, e mudei-me para um apartamento no Conjunto dos Jornalistas, os maiores edifícios da região. Seus quinze andares eram visíveis de toda a praia e constavam de cartas náuticas para orientar navios que chegavam ao Porto do Rio de Janeiro. Mesmo morando nos “jornalistas” e com tantas outras evidências, não percebi, na época adequada, ser esta a minha verdadeira vocação. E segui por outros caminhos, que nunca me satisfizeram.

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Morando no Leblon, em frente ao Jardim de Alah, aprendi a fazer e a jogar tarrafa. Os pescadores da colônia do Posto 6 foram meus professores e companheiros de pescaria (saudades de João Forno, Jovita, Galo Cego, Camundongo, Fofô…). Talvez seja por isso que gosto tanto de fotografar barcos. Atualmente moro em Iguabinha, Araruama, RJ e não deixo de fotografar e filmar os pescadores locais.

Em dias de grandes ressacas as tainhas apareciam no Canal do Jardim de Alah, que liga a lagoa Rodrigo de Freitas ao mar. Deixavam as águas tranquilas da lagoa e procuravam o oceano, para desovar. Era muito peixe passando por um canal relativamente estreito. Uma festa para os pescadores. Não matava aula para ir pescar, o que me traz muito arrependimento. As marés de inverno eram únicas e não as aproveitei como deveria. Ficava na sala de aula pensando nas tainhas que poderia estar pescando. E os momentos não se repetem.

Lucia

Mudar para o Leblon aos 14 anos coincidiu com a chegada da adolescência. Foi uma época muito feliz. Frequentei a praia, pesquei tainhas no canal com tarrafas que eu mesmo fiz, joguei volei nas tardes de sábado na rede dos alemães, fui aos sorvetes-dançantes na AABB, acompanhei o nascimento da bossa-nova, estudei violão, tudo que um adolescente poderia desejar.

Em 1965, após dar baixa do exército, conheci a menina com quem me casei e tivemos duas filhas. Pena que o destino, que a trouxe da Bahia para morar nos Jornalistas e ser a luz que eu tanto busquei, a levou tão cedo, vítima de um câncer. Lucia sempre soube que partiria cedo. Sua missão, além das duas filhas que deixou, foi me transformar em um ser humano melhor.

A vocação não percebida

Mallet Soares

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Em 1961 eu estudava no Mallet Soares, em Copacabana, e era responsável pelo jornal mural da turma 34. Os colegas não se interessavam pelo jornalzinho e eu escrevia todos os artigos.

Nilton Santos era meu vizinho e tive oportunidade de entrevistá-lo em sua casa. Praticamente foi aí que começou oficialmente o interesse pelo jornalismo.

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Em 1965, ano do “Quarto Centenário” do Rio de Janeiro, estava com 20 anos. Naquela época  ainda me sobravam cabelo e esperança. Esta caricatura foi feita em plena Cinelândia, pouco antes de prestar serviço militar (servi no Forte Duque de Caxias – Leme, em 1965). O artista trabalhava na calçada, nas proximidades do Edifício Império (demolido para dar lugar a um espigão horroroso).

Neste mesmo ano aconteceu o “Festival Internacional do Filme“. Estive no Copacabana Palace com uma câmera de 8mm filmando os artistas. A credencial para circular pelas dependências do Copacabana Palace me foi fornecida por Sérgio Porto, o “Stanislaw Ponte Preta“. Pude ver a Elis Regina, ainda em início de carreira, chegando ao lado de seu empresário, Marcos Lázaro. E também Jorge Guinle, cercado de beldades na varanda de frente para o mar. Troy Donahue, que fazia sucesso no cinema (Candelabro Italiano), era um dos mais assediados.

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 Fotografia, um hobby antigo

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Na década de 60 comecei a revelar meus filmes em preto e branco. Montei um laboratório fotográfico no quarto de empregada e tornei-me sócio da ABAF, Associação Brasileira de Arte Fotográfica, onde muito aprendi com grandes mestres da fotografia.

Passava horas trancado no quarto de empregada. (Antes que pensem alguma coisa, nesta época não tínhamos empregada).

O gosto pela fotografia permanece até hoje.

As experiências, antes feitas no laboratório, hoje são executadas no computador. É tudo mais limpo, fácil e barato. Os erros, que são muitos, não causam prejuízo e contribuem para um aprendizado efetivo.

Hoje, com as câmeras digitais, fotografa-se muito mais e, conseqüentemente, aprende-se muito mais depressa.

E a minha velha e baratinha Canon A20, com 2.1 megapixels, já contribuiu com mais de 1000 fotos para o primeiro site. Está bem guardada, como um troféu.

A importância de João Ubaldo Ribeiro em minha vida

Já que estou contando parte da minha vida, não poderia deixar de falar de João Ubaldo Ribeiro. Graças a esta amizade melhorei bastante meus conhecimentos de português (não poderia passar vergonha) e conheci pessoas fantásticas, que fizeram desses anos os mais felizes da minha vida. Muitos já se foram, inclusive o nosso querido João.

João Ubaldo e eu no Flor do Leblon

Diagonal 1995

Nossa amizade nasceu em 1995, no balcão lateral do Diagonal. Eu e alguns amigos nos encontrávamos nos finais de semana e lá estava, no banco do cantinho, João Ubaldo bebendo seu uísque e lendo a Veja. Até que tomei coragem e puxei conversa. Ele veio para a turma e nunca mais saiu.

Fechado o balcão lateral, a turma migrou para o Flor do Leblon.

A mesa 10 sempre era reservada para a nossa turma e ia aumentando de tamanho conforme chegavam mais amigos.

Flor do Leblon

João Ubaldo Ribeiro na UniverCidade

Em 2003 fui procurado por minha filha que, sabendo da minha amizade com o escritor João Ubaldo Ribeiro, pediu-me para intermediar uma visita dele à UniverCidade, onde ela cursava o oitavo período de Comunicação Social. Ele seria entrevistado pelos alunos do professor Dylmo Elias, como trabalho final da matéria “Prática de Rádio“. Após uma difícil tarefa de convencimento, consegui tirar João Ubaldo de casa. Valeu a pena. Todas as turmas do período noturno aguardavam esse momento. A entrevista foi transmitida para todas as dependências da universidade. Um momento inesquecível. Quer ouvir? Aqui está:

1 – Apresentação: ucidju01

2 – A Luxúria: ucidju02

3 – Infância e início da carreira: ucidju03

4 – Processo criativo – talento e vocação: ucidju04

5 – João Ubaldo, por ele mesmo: ucidju05

Dylmo Elias e João Ubaldo

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(Edição nº 794 em 12 de junho de 2003)

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No último dia 30 de maio de 2003 os alunos do 8º período da Escola de Comunicação Social receberam a visita do jornalista e escritor João Ubaldo Ribeiro. Na entrevista, os alunos da disciplina “Prática de Rádio”, supervisionados pelo professor Dylmo Elias, puderam saber mais sobre a vida e a obra de João Ubaldo.

Na ocasião, o jornalista Paulo Afonso Teixeira do site “Alma Carioca” registrou o encontro.

UniverCidade

Língua – Vidas em português

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O filme “Língua – Vidas em português“, um documentário de Victor Lopes, teve algumas cenas filmadas no Rio de Janeiro no ano de 2001. Uma delas mostra a nossa turma do boteco “Flor do Leblon”.  Na imagem vemos, à direita, João Ubaldo e Clóvis. À esquerda estou eu, pronto para experimentar o chope.

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Encerro esta pequena biografia com uma frase que encontrei no Face de meu amigo Marcelo Spinola Vianna:

“A única coisa que faz a diferença é a motivação. Se você perder a motivação, aos poucos você perde tudo.”  Carlos Ghosn, Presidente mundial da Renault

Quem sou eu

Bahia 1971, aos 25 anos

Bahia 1971, aos 25 anos

Se chorei / Ou se sorri / O importante / É que emoções eu vivi.

2 comments on “Paulo Afonso de Almeida Teixeira, o Timoneiro com Alma Carioca

  1. Paulo, comecei visitando o tudo sobre bichinhos e mais uma vez cheguei à sua biografia, que considero muito construtiva. Parabéns.
    Cesar

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